De uns tempos para cá, sempre que eu estou com preguiça de estudar, mas sei que preciso, assisto pelo menos algumas cenas de An Education. Sim, aquele filme inglês que rendeu a indicação ao Oscar da Carey Mulligan, a loirinha do episódio Blink, de Doctor Who. Para quem assistiu ao filme, pode parecer meio nada a ver, porque dependendo do ponto de vista ele pode ser simplificado para a história de uma garota novinha que tem um romance com um cara mais velho e se dá mal depois. O que obviamente não é. Eu assisto o filme e é bem por causa daquela coisa de identificação com o personagem. Quem me conhece sabe que obviamente não é em tocante ao romance, e talvez eu não tenha passado exatamente pela mesma situação que a dela – leia-se toda a loucura para entrar em Oxford – mas eu posso dizer que eu passei também por toda a história da pressão dos pais para estudar e ter uma educação, e ainda passo. Não vou ficar divagando sobre o assunto aqui, mas teve um período infernal lá nos meus quatorze anos em que eu passava o dia entre estudar e ter crises de ansiedade com a proximidade do vestibulinho (imagine o que é chorar em pé no ônibus pensando que nunca vai conseguir entrar na Federal). E se hoje eu enlouquecer e resolver largar a faculdade, minha mãe, meu pai e minha irmã com certeza vão fazer eu temer pela minha sanidade e integridade física. Mas não estou falando disso. Estou falando sobre a situação que fica bem evidente quando a Carey fala “If I get to University, I’m going to read what I want, and listen to what I want, and I’m going to look at paintings and watch French films, and I’m gonna talk to people who know lots about lots”. E depois quando ela começa a descobrir que talvez ela não precise agüentar tudo aquilo e entrar na faculdade para só depois poder fazer o que ela quiser quando quiser e como quiser. Ela pode muito bem pular essa parte – e a oportunidade dela vem através do seu relacionamento com o homem mais velho, mas existem infinitos outros modos de se fazer isso também. Oras, é claro que ninguém precisa de faculdade (ou qualquer tipo de educação formal, aliás) para ter liberdade, para viver ou para ser bem-sucedido. Óbvio que não, e tem vários exemplos por aí para comprovarem isso. Muitas pessoas amadurecem de outros modos, talvez até mais eficazes, e se alguém vier e disser que existem alternativas melhores do que aulas e livros para o amadurecimento e crescimento de alguém, eu vou concordar. Mas meu ponto é: isso de educação formal é também uma maneira ótima de crescer. Todos aqueles livros e matérias que parecem nada mais do que protocolo, os assuntos tediosos e difíceis que você olha e pensa que nunca vai usar na vida, então não teria porque diabos estar aprendendo, para início de história. Ler somente o que quiser, ouvir o que quiser e principalmente aprender só o que quiser é ótimo, de verdade, mas sustento que ao meu ver, não é tão ótimo assim se a pessoa não passar pela fase da obrigatoriedade antes. A da construção de uma base. Eu tinha um professor que falava que talvez nós nunca fossemos mesmo utilizar o que aprendíamos nas aulas de elétrica. Talvez não trabalhássemos com nada do nosso curso, ou não víssemos mais aquilo uma vez terminado o colegial, esquecêssemos de tudo e por aí vai. Mas não era isso que importava. O importante era que nós havíamos, algum dia, passado pelo processo de aprender, pela experiência de ensinar ao nosso cérebro como entender aquilo, ou pelo menos de domesticar nossa mente para suportar algo que não se quer suportar. Essas coisas, apesar de parecerem inúteis, ou desperdício de tempo, tem um papel primordial na educação de alguém. É bem provável que todas aquelas aulas de matrizes e determinantes tenham pouca ou nenhuma utilidade na vida de alguém que não resolva seguir uma carreira voltada para exatas. Mas aprender o que é, para o que serve, ou até mesmo a ter atenção na hora de fazer multiplicações para não obter um resultado completamente errado, isso é importante. Assim como estudar escolas literárias pareça de pouca valia para um futuro engenheiro, mas é essencial para a construção de um gênio. Enfim, o que eu dei toda essa volta para dizer é que, quando eu olho para páginas e mais páginas de integrais de todos os tipos – fechadas, direcionais, diretas e o diabo – para serem resolvidas, e uma voz no meu cérebro fala que tudo isso é completamente inútil, que em nenhuma situação prática eu vou fazer uso desse conhecimento, ou até mesmo que existem programas de computador para resolverem para mim depois, eu dou uma pausa e vou ver Education. E lembrar que não é a finalidade, mas o processo de aprendizado pelo qual você passa que é importante. Diplomas dizem muita pouca coisa além de que o graduado passou pela experiência de se formar em determinada escola, e o conceito dessas escolas deriva de quão desafiadora é essa experiência de conseguir esse diploma. A Carey aprendeu isso desistindo de tudo e vendo que não era uma idéia tão boa assim, e que compensava mais para ela aceitar essa educação estrutural, muitas vezes antiquada e ultrapassada, que muitas vezes não é o que realmente se quer, mas o que a sociedade exige, do que se rebelar contra esse sistema e lidar com as eventuais desvantagens. Eu aprendi isso olhando para a Carey e para minha própria vida e vendo que eu ainda tenho muito do que usufruir e aprender com essa educação. E que entender e aceitar isso já é a primeira parte. | | |
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Eu posso não ter muita experiência no assunto, mas acho que qualquer pessoa com a pretensão de escrever deve parar em algum momento e se perguntar o porquê de estar nisso. Se perguntar se quer ser um escritor mesmo que seja um escritor menos J. K. Rowling e mais Bukowski. Se perguntar se seu sonho, se seu desejo aceita viver uma vida mais “trabalhar para viver e escrever em qualquer brecha que tiver” e “menos freqüentar reuniões de elites intelectuais e ver seu nome em revistas especializadas”.
Não estou falando de dinheiro. Assim, é claro que se alguém estivesse nisso pelo dinheiro seria alguém muito iludido, e eu realmente acredito que as pessoas saibam disso. Mas estou falando do reconhecimento. Do escrever e esperar ouvir alguém elogiando, esperar as pessoas falarem que está ótimo, que as atingiu, que é genial, que você é genial, a voz de uma geração, ‘meu escritor favorito’. Escrever qualquer coisa, um livro ou um post no seu blog, e esperar mais de dez comentários na caixa, ou então que seu amigo que tem uma opinião que você leva em consideração diga ao menos que está bom.
Talvez não tenha como escapar disso. Talvez seja o que guie todos nós (e com nós eu quero dizer “aqueles que sonham em ser verdadeiros escritores algum dia”. Veja, sonham). Que alguém, seja o grande público, seja a própria pessoa que escreveu, leia depois e goste do que está ali, considere ao menos decente. Mas só isso basta? Concordamos que para nós está bom ter uma casa simpática em algum lugar legal, viver lendo e escrevendo sem ganhar muito, até mesmo sem muito reconhecimento. Mas se não tivermos isso? Se acabarmos morando em lugares horríveis, sem dinheiro para nada, sem publicar nada, sem quem ninguém saiba ao menos nosso nome? Quem se habilita?
Escuto muito por aí que escrever é expressar o que está dentro de mim, e eu não existiria sem isso, que escrevo porque não conseguiria não escrever, que é tudo que eu consigo imaginar para a minha vida. Sério? Mesmo? E se depois de fazer a única coisa que você se imagina fazendo, meu amigo, o mundo, seus amigos e seus pais virarem e te falarem que é horrível? E se no final, ao invés de poder olhar para todos os seus colegas de classe que te consideravam um nerd e em alguns momentos um fracassado e poder dizer “Olha, eu venci, sou reconhecido”, você morrer e ninguém nunca ouvir falar do seu nome? Escrever continuaria sendo a aspiração da sua vida?
Falando por mim mesma, eu tenho certeza que não sou genial. Não sei nem se eu sou boa. Não sei se vou conseguir viver disso, se eu não vou virar a fracassada da família, se no final vamos ser só eu e uma página pessoal pouco visitada e um ou outro texto publicado em alguma outra mídia. Mas também não sou eu bradando que é só o que eu vejo para minha vida. É o principal? Sim. O que eu realmente quero? Sim. Mas sei também que não é só porque é meu sonho, só porque eu coloquei minha alma ali, porque eu tentei infinitas vezes com sangue e suor que eu vou chegar em algum lugar. Posso ser uma sonhadora, mas não tão ingênua assim.
Olhem esse texto. Eu fui escrevendo o que foi aparecendo e não tem conclusão nenhuma. Revelação nenhuma, nada de original, ou de inteligente. Gastei o que, trinta minutos do meu tempo e não sei nem se alguém vai ler, ou comentar, muito menos elogiar. Vale a pena? Isso é no mínimo um questionamento considerável? E se eu escrevo para encontrar respostas, o que fazer quando chegar ao final e não tiver encontrado nenhuma? Enfim, vou parar por aqui porque não tenho compromisso com esse texto. É só o que eu estou pensando, de qualquer jeito. | | |
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Eu acompanho Skins há bastante tempo. Desde quando eu queria ser uma daquelas pessoas legais que se divertiam e tinham vidas muito mais legais que a minha. Eu deixei de ser essa pessoa, Skins deixou de ser essa série para mim, e eu comecei a entender sobre o que ela realmente tratava, e amar ainda mais ela por isso. Quando a segunda geração começou eu continuei a assistir por acreditar que a essência da série continuaria sendo a mesma, mesmo que os personagens tivessem mudado. Com um certo receio, claramente. Eu gostava demais de todos os personagens da primeira para acreditar que os da segunda seriam tão bons quanto eles. Ao contrário do que acontece nas outras séries, em que você escolhe uns favoritos, uns que você odeia e segue feliz, eu gostava de algo em cada um deles, mesmo que tivesse mais amor por uns do que pelos outros. E esses que eu amava mais eram o Tony, que nunca tinha parado de se desenvolver em dois anos de série, e o Chris, que tinha sempre sido um amor, simplesmente um amor.
Mas não é sobre eles esse post. ( É sobre o Cook. Com spoilers. ) | | |
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Eu nem vou comentar do quão tenso foi comprar o ingresso. Até porque na verdade foi simples, mas eu fiquei tão ansiosa e tals que estava quase tendo um ataque cardíaco enquanto eu esperava na fila, com direito a pensamentos incessantes de "será que já acabou?" e "e se acabar na minha vez?" e "e se não tiver mais amanhã, quando a mzê for comprar?" mas no final deu tudo certo e... ( exibicionismo under the cut ) 17.04, aí vamos nós ♥ | | |
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Descaradamente roubado da illegiblesigns , porque os memes roubados são os mais legais. ( 10. 9. 8. 7. 6. 5. 4. 3. 2. 1. )Eu estava com vontade de responder isso há séculos, mas o layout novo e completamente amor que me estimulou para realmente vir aqui e escrever. Agora que a faculdade voltou eu estou menos desocupada que antes, mas continuo vivendo em grandes períodos de ócio, o que deveria fazer com que eu postasse mais escrevesse mais e lesse mais, mas não, eu vou e fico o dia inteiro vendo seriados e arrumando o iTunes. Enfim, quem roubar deixa o link nos comentários, eu adoro ler coisas assim! | | |
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