Eu acompanho Skins há bastante tempo. Desde quando eu queria ser uma daquelas pessoas legais que se divertiam e tinham vidas muito mais legais que a minha. Eu deixei de ser essa pessoa, Skins deixou de ser essa série para mim, e eu comecei a entender sobre o que ela realmente tratava, e amar ainda mais ela por isso. Quando a segunda geração começou eu continuei a assistir por acreditar que a essência da série continuaria sendo a mesma, mesmo que os personagens tivessem mudado.
Com um certo receio, claramente. Eu gostava demais de todos os personagens da primeira para acreditar que os da segunda seriam tão bons quanto eles. Ao contrário do que acontece nas outras séries, em que você escolhe uns favoritos, uns que você odeia e segue feliz, eu gostava de algo em cada um deles, mesmo que tivesse mais amor por uns do que pelos outros. E esses que eu amava mais eram o Tony, que nunca tinha parado de se desenvolver em dois anos de série, e o Chris, que tinha sempre sido um amor, simplesmente um amor.
Mas não é sobre eles esse post.
Por muito tempo, eu não senti nenhuma predileção por ninguém da segunda geração, nem mesmo pela Effy, que era legal na primeira, mas que já não era mais a Effy da primeira geração. Mas eu tinha uma queda pelo Cook. Logo no começo, o Cook já é apresentado como o filho da puta que ele é. Aquele adolescente idiota, que é o líder de um grupo formado por ele e os dois melhores (e únicos) amigos, metido a malandro, impulsivo, que não quer nada com nada, algo nascido da junção entre o Tony e o Chris só que mais filho da puta, inconseqüente e detestável que os dois. Um personagem daqueles que são adoráveis por serem justamente assim.
E eu, bom, eu estava apreciando demais a atitude dele, justamente de fazer o que ele bem entendesse, para me importar com algo. Ele só começou realmente a chamar a minha atenção no episódio da Pandora. A Pandora era alguém que tinha, naquele momento, perdido tudo: o namorado, a chance de se divertir com as amigas, falar de sexo e jogar Twister. E ela não significava nada para o Cook, a não ser essa pessoa derrotada, que queria jogar Twister, e então o Cook fez foi jogar Twister com ela. Não sei como as pessoas interpretaram essa cena, mas estava claro que o que tinha acontecido era que eles tinham se conectado, e então quando ela perdeu a virgindade com ele ela não estava traindo o namorado e sendo uma vadia, ela estava fazendo algo importante com alguém importante naquele momento para ela. E estava provado que o Cook era capaz de sentir.
Claro que depois disso ele continuou sendo o filho da puta, mas o personagem estava ali, para quem quisesse enxergar. Cook, que podia ser um bastardo, que podia ser legal, Cook cuja família era dois amigos e os funcionários de um bar, e que amava essa família. Cook se conectando com a Naomi, e expandindo a visão de mundo dela. Cook ferrando a irmã do Freddie por vingança infantil, por gostar demais, mesmo que de uma maneira um tanto torta, do amigo.
Mas até então a trama do Cook era querer uma menina, conseguir, e continuar com ela mesmo quando o melhor amigo estava apaixonado por ela, com direito a uma cena que dizia claramente “E eu faço isso porque eu posso”. E ele continua sendo tão idiota, se metendo em encrencas e tudo mais, que pode-se dizer que, de alguma forma, ele estava lá para ser odiado – quer dizer, eu entendo que as pessoas tenham odiado ele. Só não entendo como alguém tenha continuado não gostando dele depois do final da temporada.
O Cook não era só alguém se divertindo com a Effy, ele estava apaixonado por ela. Ele tinha um pai que era um escroto e que mesmo assim ele queria agradar, não tinha um lar e a família dele, os amigos, estava ruindo, e ele não queria isso. E ele não só era capaz de sentir, mas sentia muito e vivia muito, e isso justificava perfeitamente todas as ações dele até ali. Fica claro que sim, ele tinha um coração tão bom quanto o do Chris, e que era alguém verdadeiramente legal, mesmo que fizesse um monte de merda do mesmo jeito. Ele era o mais humano de todos ali, o mais complexo. Não tinha como não amar.
Nada mais lógico do que ele ser o fodão da segunda temporada. Cook continua sendo Cook, continua apaixonado e impulsivo, só que agora ele começa a ver que as ações dele tem conseqüências. Não só como ir para a prisão, mas como não ser o exemplo que ele queria ser para o irmão mais novo, como ter que pagar pelo estilo de vida dele e pelo o que ele faz. E ele tem a maturidade para entender e arcar com isso. Cook cresce, como pessoa, como personagem. Cook finalmente deixa claro para todos a que ele veio. Não existe episódio melhor em todas as temporadas de Skins do que o dele, na quarta.
Conheçam o Cook. A vida dele, na verdade, é uma merda. Os pais são ridículos e incapazes de serem pais. Ele não consegue ser bom para quem ele ama. Ele fugiu de casa um dia e foi viver a vida do jeito dele, o jeito libertino dele, e se fudeu em várias etapas do processo. Ele não tem futuro. Ele entende isso, e aprende com isso, só que nunca deixa de ser ele. Ele é essa pessoa que se importa demais, ama demais, tem impulsos demais, é inteligente demais, está vivo demais, tudo nele é em excesso e não cabe no mundo em que ele está.

E esse tipo de pessoa faz as coisas que ele faz, e machuca as pessoas que ele machuca. Não é intencional. Ele nunca quer machucar ninguém, e sim quer ajudar todos aqueles com quem ele se importa. Ele quer ajudar o JJ, quer ajudar a Naomi, quer ser bom para o Freddie, quer que a Effy seja feliz. É ele quem vai e salva o dia, é ele quem tem que engolir tudo que está sendo jogado nele, porque ele sempre fez isso, e sempre reagiu a isso. Ele sempre quis aproveitar, de qualquer jeito, fazer o melhor. O Cook transa, dança, bebe, bate, chora e reconhece a derrota, porque mais do que ninguém, não importa se as coisas estejam boas, ruins ou totalmente fudidas, ele está ali, vivendo. Aprendendo. Continuando.

A maioria das pessoas detestou o episódio final. Eu acho que não poderia ter sido melhor. A grande parte dos fãs de Skins, e isso se torna bem óbvio ao observar o fandom, não entende a série. Não entende o propósito dela. Skins não é sobre ships. Não deveriam existir ships em Skins. É uma série sobre pessoas, e a amizade entre essas pessoas. Sempre foi, desde a primeira temporada. O destaque não era Cassie/Sid ou Naomi/Emily. Era o relacionamento entre todos ali, e era sobre os personagens. A evolução deles. Não tem como dar um final para a vida de cada um deles.
E assim como no finale da primeira geração quase nada é definido, somente as evoluções dos personagens, também é o finale da segunda. Não precisam dizer o que aconteceu com a Effy, porque eles já disseram, mostrando a trajetória dela. E além disso, ela nunca foi a principal. Podia ser quem tinha mais destaque, mas não era a principal. O principal ali era o Cook, e não podia ter maneira melhor do que terminar como terminou, com o Cook. O final do melhor personagem que Skins já criou.

- I don't think you know what I am, mate.
- I think I do. You're nothing.
- I'm a fucking waste of space. I'm just a stupid kid. I got no sense. A criminal. I'm no fucking use, mate. I am nothing. So please, please, get it into your, you know... Into your bonks. That you killed my friend. I'm Cook.
I'm Cook!